Na terrinha

Na terrinha


Querendo conhecer Lisboa? Pois vá sem medo! Veja aqui os pontos altos dessa viagem sapa-friendly


Rebeca Bolite


Vou começar me apresentando, né? Meu nome é Rebeca, sou casada com a Vanessa, e nós adoramos viajar. Eu praticamente me convidei para escrever para a coluna de viagem do Mundo Delash, porque quero muito dividir minhas experiências, saber de vocês sobre suas viagens e receber dicas.

Em 2014, eu e Vanessa fizemos nossa primeira viagem internacional. Montamos (na verdade eu montei, Vanessa não curte muito essa parte) o roteiro com cidades de Portugal e Espanha. Uma das minhas preocupações (e por isso infelizmente não tenho coragem de arriscar muito nos meus destinos de viagem) é quão gay friendly é o lugar para o qual estamos indo. Eu li que o casamento homoafetivo havia sido legalizado em Portugal em 2010, que algo equivalente à união estável já existia desde 2001 e que o país é considerado um dos mais desenvolvidos do mundo para leis a favor de LGBTs. A Espanha é ainda mais avançada. Algumas leis de proteção aos LGBTs começaram a existir já em 1994 e o casamento homoafetivo e a adoção por casais gays foram legalizados em 2005 no país todo. Além disso, a discriminação e o discurso de ódio baseados em gênero e orientação sexual são proibidos por lei. Então ficamos mais tranquilas e arrumamos as malas.


Começar por Lisboa foi mais que uma grata surpresa. As pessoas, além de falarem português, hehe, são muito gentis, a cidade é linda no final de abril (época da nossa chegada), o sol se põe por volta de oito da noite, a temperatura é agradável e o céu, exuberante, a comida, uma delícia, e o custo é um dos mais baixos da Europa. O aeroporto é bem perto do centro, então, se você tiver uma conexão de mais de cinco horas por lá, não hesite. Pegue um metrô ou ônibus e vá conhecer essa cidade linda. A gente inclusive fez isso na viagem seguinte.

Ficamos hospedadas na Praça dos Restauradores, no excelente Good Morning Hostel (de verdade, melhor albergue que já fiquei na vida!). Dali, dava para conhecer quase tudo a pé: Bairro Alto, Chiado, Alfama... Um dos únicos lugares que precisava de transporte para chegar (pegamos o elétrico número 15 em uma estação perto do albergue) era a região de Belém.  Paradas obrigatórias: Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos e o pastel de Belém autêntico. Nessa área é opcional, mas vale muito a pena, o Padrão dos Descobrimentos (caminhando pela beira do Tejo, dá para ver o monumento, se tiver com pressa não precisa subir) e a Coleção Berardo (é incrível para quem gosta de arte moderna e contemporânea, mas eu e Vanessa cometemos o delicioso equívoco de beber vinho branco (eu) e cerveja (ela) antes e o passeio nos rendeu umas memórias meio ébrias). Essa região é mais erma, pouco residencial, mas agimos normalmente e nos sentimos bastante à vontade.


Os miradouros (que são os nossos mirantes) são um capítulo à parte. Existem vários espalhados pela cidade. O de São Pedro de Alcântara fica na região do centro histórico, dá vista para o Castelo de São Jorge e é bem grande, com muitos bancos, um jardim bonito na parte de baixo. Para ver o sol descendo e pintando o céu de laranja, vá para o Miradouro da Graça, de frente para uma igreja e com um quiosquinho. Ele é bem simples, mas tem pôr do sol. =) Existem muitos miradouros. Visite todos e escolha seu favorito.

Um passeio bem legal também (tem que ir de metrô, mas é muito tranquilo) é o Oceanário, que fica em uma região mais modernizada da cidade. Atualmente, eu e Vanessa estamos mais ativistas e evitamos esse turismo às custas dos bichinhos, mas na época o argumento de que ali só havia animais que não teriam condições de sobreviver no mar me bastou. Eu me apaixonei por uma tartaruga perneta. <3


Também tem a Feira da Ladra às terças e aos sábados para quem gosta de antiguidades, o Elevador Santa Justa (não gastamos os cinco euros subindo, mas acabamos participando de um excelente clipe enquanto decidíamos isso na fila), que dizem foi desenhado por um aluno de Gustave Eiffel, a praça do Comércio, superampla, com o Tejo à frente, que foi durante muito tempo a entrada da cidade, o Mercado da Ribeira ali perto, oportunidade para uns beliscos descolados... Eu poderia falar de Lisboa por mais uns 10 parágrafos, porque, além de ser uma cidade incrível, com praças lindas, comida boa, muita história, um céu deslumbrante (já falei do céu, né?), é uma base ótima para passeios bem legais, como Sintra, Óbidos, Cascais... 

Em nenhum momento eu e Vanessa nos sentimos constrangidas nem fomos assediadas ou ofendidas. De uma maneira geral, nos sentimos seguras. (Convém dizer que não pegamos táxis.) Apesar da referência que eu tinha dos nossos velhinhos portugueses ranzinzas, o povo português é cordial e sorridente.


E vocês, já foram para Lisboa? Podem deixar outras dicas porque pretendo voltar. E quem tiver perguntas, fique à vontade. Se eu não souber, a gente pesquisa! 

No próximo texto vou tentar contar de maneira mais resumida a continuação dessa viagem: Barcelona, Madrid e a região da Andaluzia.

Beijos!


*Rebeca Bolite é editora de livros, vive com esposa e três gatinhos, ama viagens e corrida


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